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novembro 27, 2024

Massa com Molho de Abóbora e Tofu





Esta receita de massa com um molho cremoso de abórora e tofu, é a epítome de confort food. Rica, nutritiva, cheia de sabores e várias texturas diferentes... Per-fei-ta!

É uma receita simples, apesar de ter alguns elementos e ter o toque fancy da sálvia crocante e os chips de coco, que são opcionais claro mas que elevam esta receita a outro patamar. Fica pronta em 30 minutos e acontece praticamente tudo na mesma firgideira e a construção do sabor do molho começa logo com um azeite deliciosamente perfumado com a sálvia. Podes fazer o molho em mais quantidade e depois ires cozendo massa nos dias seguintes se quiseres repetir esta maravilha.




O primeiro passo é então fritar as folhas de sálvia até que fiquem crocantes e reservar para decorar o prato no final. Depois nesse mesmo azeite aromatizado vamos dourar o tofu temperado com paprika fumada e de seguida saltear cebola, alho até ficarem macios e acresentamos a abóbora, cajus e o tofu dourado. Fica tudo a cozinhar lentamente num caldo de vegetais* para um toque extra de sabor. Equanto isso fazemos os chips de coco fumado, irresistiveis a lembrar o crocante e sabor intenso do bacon, mas numa versão totalmente plant-based. É só misturar todos os ingredientes e levar ao forno por 10 minutos e ficas com um dos melhores toppings crocantes para as tuas refeições.

Quando a abóra estiver bem macia, colocamos tudo num liquidificador, juntamos levedura nutricional, miso e uma pitada de noz moscada e transformamos tudo num molho super cremoso, aveludado e cheio de umami!
Depois é só envolover com a massa cozida, servir num prato fundo e salpicar com o coco e a sálvia. Cada garfada é uma explosão de contrastes: o cremoso, o crocante, o doce, o fumado... Tudo junto numa massa que vai aconchegar-te até à alma!

Algumas notas: 

Podes usar abóbora hokkaido que é super docinha, tenra e não precisa de ser descacada ou abóbora manteiga que sugiro descascar por ter uma casca mais grossa.

O caldo de vegetais é das melhores formas de aumentares o sabor das tuas receitas. Eu faço o meu usando cascas e outros pedacinhos de vegetais que vou guardando num saco no congelador. Depois quando quero fazer caldo, fervo tudo por 1 a 2 horas e coou. Às vezes acrescento outros ingredientes como algas, especiairias, ervas aromáticas, cogumelos desidratados... Só não gosto de usar sal, para poder temperar melhor a receita onde depois uso o caldo, e também vegetais cruciferos porque acho que dão um sabor muito sulfurico ao caldo. 

Massa com Molho de Abóbora e Tofu

Vegan
Serve 2
Tempo de preparação: 30 minutos

Ingredientes

250 g de massa da tua preferência

Molho
200 g de tofu
1/2 cebola, picada
2 dentes de alho, picado
250 g de abóbora hokkaido cortada em cubos
1/8 c.c. de noz-moscada moída
1/2 c.c. de paprika fumada
50 g de cajus crus
30 g de levedura nutricional, opcional
250 ml de água ou caldo de vegetais
1/2 c.s. de miso, opcional
Sal marinho e pimenta preta moída, a gosto

Sálvia crocante
30 ml de azeite
5 ou 6 folhas frescas de sálvia

Chips de coco fumado
1 c.s. de azeite
1 c.s. de molho de soja
2 c.c. de paprika fumada
1 c.c. de molho picante, opcional
75 g de coco em lascas


Preparação

Chips de coco fumado
Aquece o forno a 175°C e coloca uma folha de papel vegetal num tabuleiro.
Mistura todos os ingredientes dos chips de coco com a exeção do coco numa tacinha.
Envolve cuidadosamente o coco no molho.
Espalha o coco pelo tabuleiro e leva ao forno por 10 min, vigiando para não queimar e mexendo a meio do tempo.
Quando estiver douradinho, retira do forno e deixa arrefecer totalmente para ficar bem crocante.

Massa
Aquece o azeite numa frigideira grande e funda em lume médio. Adiciona as folhas de sálvia e frita por 30 seg. Retira as folhas de sálvia e coloca-as num prato forrado com papel absorvente. Salpica com sal e reserva.
Esmigalha grosseiramente o tofu e coloca-o na mesma frigideira com o azeite onde fritaste a sálvia. Tempera com paprika fumada, sal e pimenta preta e deixa dourar por uns minutos. Retira o tofu para um prato.
Na mesma frigideira, adiciona a cebola picada e salteia por uns minutos até estar bem macia e translúcida. Junta o alho e deixa cozinhar por 1 min. Adiciona a abóbora cortada em cubos e tempera com sal, pimenta e noz-moscada. Mexe tudo. Adiciona os cajus, o tofu salteado e o caldo de vegetais. Deixa ferver e depois reduz o lume, tapando a frigideira, até a abóbora ficar macia e começar a desfazer-se, cerca de 15 min.
Noutra panela, coze a massa de acordo com as instruções da embalagem. Reserva um pouco da água da cozedura da massa.
Transfere tudo da frigideira para um liquidificador.
Junta a levedura nutricional e o miso. Tritura tudo até a mistura ficar cremosa e aveludada. Verifica os temperos e ajusta, se necessário.
Mistura a massa e o molho de abóbora na frigideira, em lume brando. Continua a mexer até tudo estar bem quente. Se o molho parecer demasiado espesso, adiciona um pouco da água da cozedura da massa ou caldo de vegetais. Prova e ajusta os temperos se necessário.
Serve a massa quente com a sálvia crocante e os chips de coco por cima

novembro 04, 2024

Salada de Quinoa, Abóbora assada. Grão-De-Bico e Couve Toscana

Eu adoro fazer saladas com bastante sabor, texturas diferentes e com elementos cozinhados de formas diferentes. Nesta casa não entram saladas aborrecidas! Esta combina quinoa com abóbora manteiga assada, doce e bem tenrinha (também fica perfeita com abóbora hokkaido e imagino que com cenoura também não deve ficar nada mal), um salteado de grão-de-bico e couve toscana a estoirara de sabor graças à pasta harissa - uma pasta picante africana que adoro, o toque cremoso do abacate e o salgado do feta com um apontamento amendoado das sementes de cânhamo. O resultado? Uma salada maravilhosa, super nutritiva cheia de sabores de Outono!

Apesar de estar a partilhar contigo a receita de raiz, esta combinação surgiu graças ao meu estilo de meal prep, em que tenho sempre um cereal cozido (neste caso a quinoa), legumes assados (neste caso a abóbora) e alguma leguminosa disponível seja cozida por mim ou não. Tendo isto tudo pronto é fácil dar azo à criatividade e criar coisas boas como esta de repente! 
 



Algumas notas: 

As sementes de cânhamo são opcionais mas vão trazer mais proteína à salada e são uma ótima fonte de ómega 3!

Se tiveres uma alimentação vegan e quiseres um toque de sabor extra sem usar o feta, usa bastante levedura nutricional e carrega mais um bocadinho no sumo de limão e sal.

 



Salada de Quinoa, Abóbora assada. Grão-De-Bico e Couve Toscana
Sem Glúten
Serve 2 a 4 pessoas

Tempo de preparação: 30 minutos


Ingredientes

200 g de quinoa
250 g de abóbora-manteiga (cortada em palitos grossos)
240 g de grão-de-bico cozido
100 g de couve toscana (cortada em tiras finas)
1 colher chá de pasta de harissa (ou a gosto dependendo do teu paladar para picante)
1 abacate (maduro, cortado em cubinhos)
50 g de queijo feta (esfarelado)
2 a 3 c.s. de sementes de cânhamo
Azeite (para assar e saltear)
Sal e pimenta preta
Sumo de limão

Preparação

Cozer a quinoa
Lava bem a quinoa e escorre a água. Coloca numa panela e tosta até secar. Coloca o dobro da quantidade de água e uma pitada de sal.
Cozinha em lume médio destapada até a água evaporar e a quinoa ficar macia (cerca de 15 minutos). Deixa arrefecer.

Assar a abóbora
Pré-aquece o forno a 200°C.
Coloca os palitos de abóbora num tabuleiro, tempera com azeite, sal e pimenta. Assa durante 20-25 minutos, ou até a abóbora estar dourada e macia.

Saltear a couve e o grão-de-bico
Aquece um fio de azeite numa frigideira e acrescenta a harissa.
Junta o grão-de-bico, envolve e deixa saltear por 2 a 3 minutos.
Acrescenta a couve toscana e deixa cozinhar por 3 a 5 minutos até murchar ligeiramente

Montar a salada
Numa taça grande, mistura a quinoa cozida, a abóbora assada, a couve e o grão-de-bico.
Dispõe as fatias de abacate por cima e esfarela o queijo feta.
Polvilha com as sementes de cânhamo e, se gostares, rega com um pouco de sumo de limão e mais um fio de azeite.

Servir
Serve a salada à temperatura ambiente ou ligeiramente morna.

janeiro 08, 2020

Sopa de Lentilhas Com Croutons Caseiros :: Lentil Soup With Homemade Croutons





Recipe in English below

Estas fotografias andam por aqui perdidas no computador e à espera de ver a luz do dia já há uns 2 ou 3 meses, e agora parecem-me a melhor maneira de estrear 2020 aqui pelo blog e começar bem o ano. Sim, porque uma das minhas resoluções de ano novo é publicar mais receitas por aqui e voltar a ser uma blogger como deve ser. Inserir figas aqui.

Os dias de Inverno chegaram à séria e não há nada que combine melhor que uma noite fria de Janeiro como uma taça bem quentinha de sopa, e esta tem sido um verdadeiro habitué cá por casa. É super simples, saborosa e incrivelmente reconfortante. Tudo o que é preciso numa boa sopa!

dezembro 02, 2015

Bolo Crumble de Maçã com Caramelo de Malte :: Apple Crumble Cake with Malt Caramel



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Os dias têm-me fugido à velocidade da luz e quase sem dar conta passaram dois meses desde que o meu livro chegou às bancas. Dois meses incríveis numa verdadeira lufa lufa de rock star, com muitos projectos novos a nascerem e completamente nas nuvens com todo o vosso carinho e apoio. Todos os dias tenho a caixa de mensagens a transbordar de palavras boas e cada uma delas compensa a grande tarefa homérica que foi fazer o Natural.

Foi um longo e atribulado percurso, onde dei tudo de mim  e houve momentos em que quase me deixei afogar num mar de dúvidas e inseguranças, mas agora que o tenho aqui ao meu lado fico com um sorriso tonto e vaidoso. Consegui. Mesmo que continue a ver o que podia ter feito melhor, consegui. Nos últimos meses (anos?) aprendi muito sobre o que é isto de escrever receitas mas também sobre mim e os meus limites. Não posso dizer que estou pronta para outro, por agora ainda quero saborear esta pequena grande conquista, mas sinto que depois disto nada me pode parar.

dezembro 19, 2014

Couscous Exótico de Couve Flor :: Spiced Cauliflower Winter Couscous

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Ho, ho, ho!

De volta e com novidades! Ainda não são as derradeiras boas notícias mas consegui finalmente pôr por escrito toda a informação que queria partilhar com vocês e assim ultrapassar uma das maiores metas da minha odisseia literária. Terminei toda a primeira parte do livro que, digamos, ficou um verdadeiro compêndio com tudo o que é preciso saber sobre a alimentação natural e onde vos levo numa viagem  pelos ingredientes que não podem faltar nas vossas despensas com muita informação nutricional para ajudar a esclarecer as dúvidas mais comuns deste género de alimentação e  muitas dicas e truques que fui aprendendo nos últimos anos de aventuras entre os tachos. Enfim, um autêntico ABC da cozinha vegetariana que espero vá ajudar muitos de vocês! Ainda tenho algumas fotografias por tirar, mas acho que agora, sim, é seguro dizer que já faltou mais. Não desistam, não? Prometo que vai valer a pena a espera!

Para comemorar esta pequena grande vitória e assim em jeito de sugestão para as celebrações que se avizinham, trago-vos este Couscous Exótico de Couve Flor, super reconfortante, com ingredientes bem típicos da época mas carregado de perfumes de outros lugares que prometem fazer o brilharete da noite e dar um toque bem diferente à vossa Ceia de Natal! Quem disse que o Natal não pode saber a cominhos, canela e hortelã?

Agora é tempo de me dedicar às prendas deste ano que como já vai sendo tradição, vão sair todas daqui da cozinha! E desse lado? Ainda há alguém nesta lufa-lufa dos últimos dias?


Couscous Exótico de Couve Flor
SG / V
4 pessoas


Ingredientes
500 g de Couve Flor, mais ou menos 1 cabeça
250 g de Grão de Bico, cozido e bem escorrido
300 g de Abóbora Menina, sem casca e sementes
150 g de Espinafres, só as folhas
1 Maçã
75 g de Amêndoas, ligeiramente tostadas
1 mão cheia de Passas
1/2 Malagueta Vermelha, sem sementes
1 1/2 colheres de chá de Sementes de Cominhos
1 pau de Canela, pequeno
2 cabeças de Cravinho
1 colher de sopa de Óleo de Coco
Raspa e Sumo de 1/2 Laranja
Hortelã fresca, só as folhas
Azeite
Sal Marinho Integral
Pimenta preta moída na hora

Preparação
Pré aquecer o forno a 180º e forrar dois tabuleiros com papel vegetal.
Colocar as passas de molho no sumo de laranja.
Cortar a abóbora em cubos, temperar com um fio de azeite, um pitada de canela em pó e um pouco de sal e pimenta, e colocar num dos tabuleiros sem sobrepor.
Temperar o grão de bico com um fio de azeite e um pouco de sal e pimenta e colocar no outro tabuleiro sem sobrepor.
Colocar os dois tabuleiros no forno e deixar assar entre 20 a 30 minutos até que a abóbora e o grão de bico comecem a caramelizar, vigiando de vez em quando.
Separar os floretes da couve flor (aproveitar os caules para um puré ou sopa), colocá-los num processador de alimentos e triturar até que fiquem com uma textura entre o couscous e o arroz.
Numa frigideira aquecer o óleo de coco juntamente com a malagueta picada, as sementes de cominhos, o pau de canela e as cabeças de cravinho. Deixar cozinhar em lume brando por uns minutos para que as especiarias libertem os seus óleos.
Retirar o cravinho e juntar a couve flor e a raspa de laranja. Envolver bem e deixar cozinhar por 5 minutos, mexendo de vez em quando cuidadosamente.
Entretanto lavar bem a maçã, cortá-la em cubos e picar grosseiramente as amêndoas e os espinafres.
Acrescentar tudo aos couscous juntamente com as passas acrescentar ao couscous. Regar com o resto de sumo de laranja, envolver e deixar cozinhar por mais 3 minutos.
Acrescentar a abóbora e o grão de bico envolvendo cuidadosamente com o couscous e verificar os temperos. Se necessário rectificar
Servir morno salpicado com a hortelã grosseiramente picada e umas raspas de laranja.


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Ho, ho, ho!

 Look who's alive, breading and with some good news! I finally manged to write all the information I wanted to share with you and thus overcome one of the major goals of my literary odyssey. I've finished the first part of the book, and all I can say is that I have prepared a true compendium with everything you need to know about natural cooking. I take you on a trip through all the must have ingredients in your pantries with nutritional information to help clarify the most common questions of this kind of diet and give you many tips and tricks that I've learned in the past few years with my adventures in the kitchen. In short, an authentic 101 of vegetarian cooking that I hope will help many you! I still have some photos to shoot, but I think that now, it's really safe to say that the book is just a few steps away. Don't not give up on me. I promise it will be worth the wait!

To celebrate this small big victory and as suggestions for the days to come, I bring you this Spiced Cauliflower Winter Couscous, a super cozy meal with typical ingredients of the season but overflowing with scents from other places, promising to be the shining stars of the night and give your Christmas dinner a delicious different spin! Who said Christmas couldn't taste like cumin, cinnamon and mint?

Now I'm off to make my gifts that, as it have become a tradition, will all come out of my kitchen! And over there? Is there anyone in this last days hustle and bustle?


Exotic Cauliflower Couscous 
GF / V 
Serves 4

Ingredients 
500 g Cauliflower, about 1 head 
250 g Chickpeas, cooked and well drained 
300 g Butterscotch Pumpkin, peeled and seeded 
150 g Spinach, leaves only
1 Apple 
75 g Almonds, lightly toasted 
1 handful of Raisins
1/2 Red Chilli , seeded
1 1/2 tsp Cumin Seeds
1 Cinnamon stick 
2 Cloves 
1 tbsp Coconut Oil 
Zest and juice 1/2 Orange
Fresh Mint , leaves only 
Sea Salt
Freshly ground black pepper

Directions
Preheat oven to 180 degrees and line two baking sheets with parchment paper. 
Soak the raisins in the orange juice and reserve.
Cut the pumpkin into cubes, season with a little olive oil, a pinch of cinnamon powder and some salt and pepper, and place them in one of the baking sheets without overlapping.
Season the chickpeas with a little olive oil and a little salt and pepper and put them in the another baking sheet without overlapping. 
Bake for 20 -30 minutes until the pumpkin and chickpeas begin to caramelize, keeping an eye from time to time
Cut the florets of the cauliflower (reserve the stems for a puree or soup), grind them in food processor until you get a texture somewhere between couscous and rice. 
In a large skillet heat the coconut oil with the chopped red chilli, cumin seeds, cinnamon stick and the cloves. Leave to cook on low heat for a few minutes so that the spices release their oils . 
Remove the cloves and add the cauliflower and orange zest. Mix carefully with the fragrant oil and let it cook for 3 to 5 minutes, tossing from time to time.
Meanwhile wash the apple, cut it into cubes and coarsely chop the almonds and spinach. Add all to the couscous with the soaked raisins.
Add the rest of the orange juice, mix carefully and cook for 3 more minutes. 
Add the roasted pumpkin and chickpeas to the couscous, mix and check the seasoning. If necessary adjust.
Serve warm sprinkled with some coarsely chopped mint and fresh orange zest.


setembro 24, 2014

Tartines de Figos Assados com Requeijao de Amêndoa :: Rosted Figs Tartines with Almond Cottage Cheese

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Os meses vão passando e a minha grande odisseia lá vai avançando passinho a passinho... E agora que já lhe começo a vislumbrar o fim, acho que já vos consigo falar de tudo o que se andou a passar por estes lados. Preparem-se que vêm aí queixinhas a sério!

Dizer que tem sido intenso é pouco... Picos de inspiração seguidos de autênticos desertos criativos e um turbilhão imenso de emoções à mistura com a sua quota-parte de lágrimas. Caí no enorme erro de me comparar com as pessoas que admiro e a minha cabeça enchia-se de dúvidas e perguntas... De repente tinha todas as minhas inseguranças ao rubro e às vezes gritavam tão alto que me deixavam completamente paralisada. Muitas noites acordada afundada numa sensação de quanto mais faço mais tenho para fazer e a pensar que se calhar não sou boa o suficiente, que nunca o vou ser, que se calhar as pessoas estão à espera de mais de mim e o livro vai ser uma grande desilusão, a tentar lidar com a vergonha de um dead line há muito falhado e o seu respectivo mas-se-os-outros-conseguem-porque-é que-eu-não-consigo sempre a ecoar lá do fundo. E a maior pergunta de todas... Será que é mesmo isto que eu quero? É que isto de gostar de cozinhar e partilhar o que vou aprendendo a passar a ser oficialmente uma autora de receitas vai um grande caminho e essa responsabilidade deixa-me completamente aterrada. Eu sei, muitos devem estar a pensar... É só um livro de receitas. Mas para mim ganhou um proporção gigantesca. Sufocante mesmo.

Depois vem a parte prática da coisa. As compras sem fim, subir 4 andares com as compras sem fim, pensar nas receitas, escrever as receitas, testar as receitas e corrigir as receitas, a cozinha sempre em pantanas, a loiça para lavar, a loiça senhores, ter o resto do meu T0 bem pequenino transformado num estúdio permanente e andar a tropeçar nos props e cenários espalhados por todo o lado que-não-vale-a-pena arrumar-para-estar-a-voltar-a-tirar, as decisões, as indecisões e e os bloqueios, as fotografias e as suas milhentas repetições porque não estão mesmo, mesmo como eu quero, as crises de identidade, os dias muitos escuros, os dias com demasiada luz e os dias que passam à velocidade da luz, as horas em frente ao monitor para conseguir escolher uma única foto e se-calhar-ainda-vou-repetir-mais-uma-vez-esta-receita... Uff! Correr por gosto cansa, e muito! Tanto que às vezes cheguei a pensar que se calhar não gostava assim tanto.

Mas depois começo a vê-lo a ganhar forma e e lembro-me porque escolhi uma vida entre os tachos. Apesar de saber que nunca o vou achar perfeito sinto-me a encher de um orgulho vaidoso, aquele que vem quando damos conta que estamos a conquistar o maior desafio das nossas vidas. Mesmo que super atrasado. Mesmo com todos os momentos difíceis, dúvidas e frustrações. Não sei bem o que vem a seguir, mas essa sensação vai-me acompanhar para sempre. Também ainda não sei quando vai ser o dia em que vai estar finalmente pronto, mas já faltou mais, muito mais. Estou a fazer tudo para que seja ainda este ano, por isso não desistam de mim, não?

E pronto, é isto. Queixinhas feitas. Ainda está alguém desse lado?

Para compensar e para levantar um pouqinho mais o véu do que aí vem, fica mais uma das receitas do livro. Desta vez umas Tartines de Figos Assados com Requeijao de Amêndoa. Feitas com os reis da estação, assados com um delicioso molho balsâmico, e um requeijão vegan e raw, que aproveita as sobras do leite de amêndoa. São perfeitas para receber os amigos num fim de tarde, mas por cá até já foram pequeno almoço... Mas isso fica aqui só entre nós, combinado?

Obrigada sempre por tantas mensagens de apoio e carinho.

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Tartines de Figos Assados com Requeijão de Amêndoa
V
4 Tartines

Ingredientes

Para os Figos Assados
6 a 8 Figos
1 colher de sopa de Azeite
1 colher de sopa de Vinagre Balsâmico
1 colher de sopa de Mel ou Xarope de Ácer
1/2 colher de sopa de Rosmaninho fresco

Para o Requeijão de Amêndoa (V / R)
200 g de Polpa de Amêndoa, sobras do leite daqui
1 Alho
2 colheres de chá de Levedura de Cerveja em pó, opcional
1 colher de sopa de Sumo de Limão
2 colheres de sopa de Azeite
2 colheres de sopa de Água
Sal Marinho Integral
Pimenta Preta moída na hora

Para Servir
4 fatias de Pão rústico
Micro Vegetais
Rosmaninho
Pistácios grosseiramente picados

Preparação

Para os Figos Assados
Pré aquecer o forno a 180º.
Lavar os figos e cortá-los em quartos.
Numa tacinha misturar o azeite com o vinagre balsâmico e o mel.
Verter sobre os figos, reservando um pouco para servir, e salpicar com o rosmaninho.
Levar ao forno por 15 minutos até caramelizar.

Para o Requeijão de Amêndoa (V / R)
Colocar todos os ingredientes, excepto a água e os temperos, num processador de alimentos e misturar bem.
Com o processador sempre ligado acrescentar a água aos poucos até atingir a consistência desejada.
Temperar com um pouco de sal e pimenta e misturar.
Pode ser guardado num frasco de vidro hermético no frigorífico entre 3 a 4 dias.

Para Servir
Tostar as fatias de pão e barrar  com o requeijão de amêndoa.
Distribuir os figos assados pelas tartines.

Regar com o molho balsâmico e salpicar com pistácios e os micro vegetais.

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The months go by and my great odyssey advances baby step by baby step... I'm finally seeing the end of it so I think it's time I tell you all about everything that has happened around here. Warning, some real whining ahead!

Saying it has been intense is selling it short... Peaks of inspiration followed by creative deserts mixed with an immense whirlwind of emotions with its fare share of tears. I fell in the huge mistake of comparing myself to others and my mind  filled up with doubts and questions... Suddenly all my insecurities where up to the roof and sometimes they were so loud that I felt completely paralyzed. Many nights awakened sunk with the overwhelming sense that the more I do the more I have to do and thinking that maybe I'm just not good enough, that I'll never be, that maybe people are expecting more from me and the book will be a big disappointment, trying to deal with the shame of a dead line long over due and it's respective but-if-others-can-do-it-why-can't-I echoing in the silence. And the biggest question of them all... Is this what I really want? I mean, from liking to cook and sharing what I learn to becoming an officially recipe author goes a long way and this responsibility completely grounds me. I know, many must be thinking ... It's just a cookbook. But for me it gained a massive proportion. Massive.

Then comes the practical aspects of it. The endless shopping, climbing my 4 floors with the endless shopping, thinking about the recipes, writing the recipes, testing the recipes and correcting the recipes, my kitchen always in a semi chaos state, the dishes to wash, the dishes lord, having the rest of my petite "open space" transformed into a permanent photograph studio and stumble all over the props and scenarios scattered everywhere because-there's-really-no-point-in-storing-them-because-I'm-always-using-them, the decisions, the indecisions and the creative blocks, the photographs and their thousands repetitions because they are not really, really like I want them, the identity crises, the dark days, the days with too much light and the days that pass by the speed of light, the hours in front of my computer trying to one single photo and I-might-just-gonna-repeat-this-recipe-one-more-time... Uff! Sometimes I got so tired that I even doubted my love for cooking.

But then comes that moment, when I see the book coming to life and remember why I choose to live among my pots. Despite knowing that I will never find it perfect I feel this pride filling my soul, the one that comes when you realize that you are conquering the biggest challenge of your lives. Even if super over due. Even with all the difficult moments, doubts and frustrations. I'm not sure what comes next, but that feeling will follow me forever. I also still don't know when it will finally be ready, that day will come. I'm doing everything I can so that it comes still this year, so don't give up on me!

And that's it. Whining done. Is anyone still there?

To make it up to you and lifting the veil a bit more of what's coming, here's one more recipe from the book, these Rosted Figs Tartines with Almond Cottage Cheese. Made with the kings of the season, baked with a delicious balsamic sauce, and a vegan and raw cottage chees that uses the leftover pulp of homemade almond milk. They are perfect share with friends in one of this fall evenings, but around here they have even been breakfast ... But that's just between us here, deal? 

Thank you always for so many messages of support and affection.

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Rosted Figs Tartines with Almond Cottage Cheese
4 Tartines 

Ingredients 

Roasted Figs 
6 to 8 Figs 
1 tbsp olive oil 
1 tbsp of Balsamic Vinegar 
1 tbsp of Honey or Maple Syrup 
1/2 tbsp fresh Rosemary 

Almond Cottage Cheese (V / R) 
200 g Almond pulp, leftover milk 
1 Garlic Clove
2 tsp of Nutricional Yeast, optional 
1 tbsp of Lemon Juice 
2 tbsp olive oil 
2 tbsp water 
Sea Salt 
Freshly ground black pepper 

To Serve 
4 slices of Bread 
Micro Greens
Rosemary
Coarsely chopped Pistachios 

Directions

Roasted Figs
Preheat oven to 180 degrees. 
Wash the figs and cut them into quarters. 
In bowl mix the olive oil with the balsamic vinegar and honey. 
Pour over the figs, reserving some to serve, and sprinkle with rosemary. 
Bake for 15 minutes until caramelized. 

Almond Cottage Cheese (V / R) 
Place all ingredients, except water and seasonings in a food processor and blend.
With the food processor running, add water gradually until it reaches the desired consistency. 
Season with salt and pepper and mix again. 
Can be stored in an airtight glass jar in the refrigerator between 3-4 days. 

To Serve 
Toast the slices of bread and spread with almond cottage cheese. 
Distribute the roasted figs on the tartines. 
Drizzle with the rest of the balsamic sauce and sprinkle with pistachios and micro greens.


dezembro 31, 2012

Scones de Pêra e Especiarias Chai



Um coração cheio. É o que levo deste ano incrível. O ano em que transformei a minha vida e que preenchi os meus dias de sonhos e conquistas. Olhando para trás, é inevitável o sorriso que se forma ao mesmo tempo que uma lágrima teima em espreitar. Passam-me pela memória todas as experiências, todos os momentos e todas as pessoas que me inspiraram e que me fazem querer continuar a sonhar, a crescer e a aprender. Estou finalmente no meu caminho.

E à medida que vou escrevendo estas palavras sinto-me a transbordar de uma quentinha gratidão... Nada disto teria tido o mesmo sabor sem vocês desse lado. Obrigada por terem partilhado comigo este ano. Acho que nunca vou conseguir explicar o que sinto com o vosso carinho, as vossas palavras deliciosas, as vossas aventuras entre tachos.

Espero que o novo ano vos encha de amor e sorrisos e que vos leve mais perto de todos os vossos sonhos!



Para começar bem o ano deixo-vos estes Scones de Pêra e Especiarias Chai, a companhia perfeita para dias preguiçosos. E acho que todos concordamos que não há dia mais preguiçoso que o primeiro do ano... Afinal esta noite quer-se bem longa, passada entre amigos e família! ;)

Happy New Year!!


Ingredientes (8 scones)


125gr de farinha de trigo integral
60gr de farinha de espelta
60gr de amido de milho
50gr de açúcar mascavado
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de gengibre em pó
3 cravinhos
3 vagens de cardamomo
1/4 de noz moscada ralada na hora
1 pitada de pimenta preta moída na hora
1/2 colher de chá de sal marinho
40gr de ghee ou manteiga
3 pêras maduras
1 ovo do campo
80gr de iogurte natural
1 colher de chá de essência de baunilha


Preparação

Ligar o forno para ir aquecendo.
Abrir as vagens de cardamomo e colocar as sementes num almofariz.
Moer juntamente com os cravinhos e o sal.
Numa taça grande misturar as farinhas, o açúcar, o fermento e todas as especiarias.
Acrescentar o ghee e misturar com as mãos até se parecer com areia.
Lavar as pêras, cortar em pequenos cubos e acrescentar à massa.
Numa outra taça misturar o ovo com o iogurte e a baunilha.
Juntar à massa a e mexer delicadamente até encorporar.
Forrar um tabuleiro com papel vegetal e cobrir com um pouco de farinha.
Transferir a massa para o tabuleiro, formar um círculo e esticar até ter mais ao menos 2 cm de grossura.
Com uma faca enfarinhada cortar 8 fatias (vai parecer um pouco impossível, mas resistam a tentação de colocar mais farinha, assim os scones ficam mais fofos).
Salpicar os scones com um pouco de açúcar mascavado e levar ao forno entre 20 a 25 minutos.


Receita daqui.


novembro 23, 2012

Puré de Abóbora e Pastinaca Assada









Eu sei que as aventuras culinárias não têm abundado por aqui, mas quem tem seguido o facebook sabe que as últimas semanas foram passadas entre papeladas sem fim, fichas técnicas e contas de pôr os olhos em bico.

Foi um longo processo, que por momentos me pareceu mesmo interminável, para registar e licenciar o Le Passe Vite mas posso finalmente dizer que é ofical... Sou uma cozinheira a tempo inteiro!


Claro que muita coisa aconteceu nestas semanas, incluindo uma ida a Lisboa para mais um fim de semana de curso de culinária no IMP e um delicioso workshop de sobremesas saudáveis com a Sarah Britton na Casa Vinyasa. Prometo que hei-de contar tudinho ao pormenor mas a verdade é que morro de saudades de partilhar o que se passa na minha cozinha e como este Puré de Abóbora e Pastinaca Assada anda a fazer as delícias deste Outono parece-me perfeito para pôr os tachos em dia. Ainda mais com um fim de semana frio à porta e a pedir comidinhas bem reconfortantes!

Mas Pasti-quê? Perguntam vocês. Pastinaca ou Cherovia (eu sei... vai de mal a pior) é uma deliciosa raiz e digamos que é uma prima afastada da Cenoura, mas maior, mais pálida e com um sabor muito mais intenso. E que sabor, senhoras e senhores! Uma mistura incrível entre um doce melado com laivos ligeiramente picantes de cardamomo e um quê de tropical do coco. É por excelência um legume das estações frias pois cresce em zonas de clima extremo, por cá dá-se muito bem na Serra da Estrela, e são normalmente colhidas depois das primeiras geadas.

Em termos nutritivos é  particularmente rica em potássio, um sal mineral muito importante para a composição das nossas células que ajuda a controlar a pressão aterial. É também uma exclente fonte de ferro, magnésio e cálcio, fibras, ácido fólico (óptimo para as futuras mamãs), e vitaminas A e E.


A Abóbora é a rainha e senhora desta estação. É um legume de alto valor nutritivo, muito rica em caroteno, vitaminas A e C e sais minerais como cálcio, fósforo e ferro. Além de ter poucas calorias, é de fácil digestão, sendo um ótimo alimento para crianças ou para adultos com problemas no aparelho digestivo.

Para comprar, escolham uma Abóbora de casca firme, sem cortes nem partes moles ou manchadas. Para saber se está madura, basta bater com os nós dos dedos, um som oco indica que está perfeita! Se comprarem já cortada, vejam se a polpa tem uma cor intensa e brilhante.



Lembram-se dos Muffins ou do Creme do ano passado? Feitos com puré abóbora assada lentamente... Os sabores doces quase a tocar o caramelo... Cá em casa nunca mais se preparou abóbora de outra maneira e gosto de fazer logo em grande quantidades para congelar. Podem conservar até 12 meses mas convém deixar escorrer a água de descongelar. Convém não temperar para se poder usar tanto em doces como salgados.


Ingredientes (4-6 pessoas)

1 Abóbora (Bolina ou Hokkaido)
4 Pastinacas
3 dentes de Alho
3 colheres de sopa de Azeite
1 colher de sopa de Vinagre Balsâmico
Sal Marinho
Pimenta Preta moída na hora
Leite (usei de Amêndoa)
Noz Moscada
3-5 folhinhas de Salva


Preparação

Ligar o forno para ir aquecendo e forrar 2 tabuleiros com papel vegetal.
Lavar a abóbora, cortar ao meio e retirar as sementes.
Colocar as metades de abóbora num dos tabuleiros com a casca virada para cima.
Lavar as pastinacas, cortar ao comprido em palitos grossos e colocar no outro tabuleiro juntamente com as folhas de salva.
Numa tacinha misturar o azeite com o vinagre balsâmico, os dentes de alho esmagados, o sal e pimenta.
Verter o molho sobre as pastinacas e envolver.
Levar os 2 tabuleiros ao forno e deixar assar cerca de 30 minutos, até a casca da abóbora começar a empolar e as pastinacas ficarem douradas.
Retirar os 2 tabuleiros do forno e deixar arrefecer um pouco.
Colocar a abóbora assada (como uso abóbora bolina ou hokkaido deixo a casca) num copo alto e passar com a varinha mágica até ficar num creme macio e reservar.
Retirar e reservar as folhinhas de salva do tabuleiro das pastinacas.
Colocar as pastinacas assadas, os alhos e o molho resultante do assado juntamente com 2 colheres de sopa do puré de abóbora num processador de comida e misturar até envolver bem
Colocar tudo num tacho, acrescentar cerca de 400g do puré de abóbora, um pouco de leite e a noz moscada ralada na hora.
Envolver em lume brando e acrescentar leite aos poucos até atingir a consistência desejada.
Verificar os temperos e servir polvilhado com sementes de linhaça moídas e as folhinhas de salva assadas.


Este puré é muito versátil, podem usar como acompanhamento como um puré de batata ou fazer um pouco mais líquido para servir de molho. Experimentem com o Assado de Requeijão e Frutos Secos... Simplesmente maravilhoso!!


Fontes aqui.

novembro 08, 2012

Fall Goodies!









Eu sei que o Outono não é das estações com mais amigos por aí, e até percebo, os dias cada vez mais pequenos, o céu cinzento, o frio a instalar-se devagarinho, anunciando o Inverno... Mas no meio disto tudo encontro-lhe encantos irresistíveis e muitos, claro, andam de volta dos tachos!

É a época dos legumes de raiz, das folhas verdes escuras e dos cogumelos, das abóboras e das castanhas, de uma imensidão de frutas como uvas, figos, pêras, maçãs romãs, dióspiros e todo o tipo de citrinos. Todos com uma missão em comum: darem-nos o que mais precisamos para resistir às temperaturas frias e dias escuros.

Podíamos ficar aqui dias a fio a falar de cada um deles e das suas infinitas propriedades mas como minha última obsessão são os legumes de raiz quero vos contar tudinho sobre estes meninos. Podem não ser os mais bonitos do mercado, mas eu gosto deles assim, tortos, sujos e cheios de carácter. Para mim são como pedras preciosas ou tesouros perdidos, ali debaixo da terra à espera que alguém os descubra.

Tecnicamente só são considerados legumes de raiz aqueles que têm raízes tuberosas (raízes dilatadas que armazenam os nutrientes da planta) como as beterrabas, cenouras, rabanetes, pastinacas e os nabos. Mas é comum alargar o termo a todos os legumes que cresçam no subsolo, sejam bolbos como a cebola e o alho, rizomas como o gengibre e a curcuma ou tubérculos como as batatas.

Devido às suas características, podem sobreviver a temperaturas extremas e são de um valor inestimável para a alimentação em invernos rigorosos e climas mais frios, quando pouco ou nada consegue crescer. Estas raízes foram mesmo a solução para muitas culturas ao longo dos períodos mais complicados da História salvando-as da fome. Há até relatos de terem servido como uma importante moeda de troca na Rota da Seda na altura dos descobrimentos.

Apesar de cada um dos legumes de raiz ter a sua própria composição nutricional, todos eles funcionam como um cofre blindado para a planta, guardando tudo o que ela mais necessita  para crecer: vitaminas, minerais, fitonutrientes, carboidratos complexos e fibras. As boas notícias são que nós também podemos aproveitar estes pequenos cofres nutritivos. Conseguem imaginar os benefícios destas coisas todas para a saúde humana? 

Mas o que é isso de carboidratos complexos e fitonutrientes? Os carboidratos complexos têm uma digestão mais lenta prolongando a sensação de saciedade. E são ainda mais eficazes quando são consumidos com as suas amigas fibras! Os fitonutrientes incluem poderosos antioxidantes que combatem radicais livres no nosso corpo. Estão associados à cor do vegetal, quanto mais intensa mais fitonutrientes ele contém. Estão a ver aquele fúscia vibrante das beterrabas? E o laranja brilhante das cenouras? Só podem querer dizer coisas boas!

E no fim de contas sempre se ouviu dizer que a cenoura faz bem ao olhos! Quem é que daqui se atreve a duvidar da eterna sabedoria das avós?


Fontes aqui, aqui, aqui e aqui.


outubro 11, 2012

Pizza de Figos, Queijo de Cabra e Ervas

Nunca gostei de Figos. Cresci com uma grande figueira no quintal, pois, eu sei, a velha história das nozes a quem não tem dentes, mas nunca consegui provar um. Fazia-me impressão aquela textura estranha e nunca mais me vou esquecer do dia em que abri um e estava cheio de bichinhos. Para mim eram mais uma panca dos adultos, ficavam doidinhos com aquilo. E no fim do Verão era um rodopio de volta da árvore que só visto!

Mas este ano decidi que estava na altura de perceber esse burburinho todo por causa dos Figos. É que desde que vi esta pizza que fiquei a sonhar com ela e não podia deixar de a provar só por causa de um pormenor técnico como ai-não-gosto-de-figos, não é verdade? A prova de fogo foi no mercado biológico do Parque da Cidade, com direito a público e tudo! Enchi-me de coragem e lá dei uma trinca... Naquele momento percebi tudo. Espantosamente doces e com uma complexidade de texturas sublime, a polpa suculenta, o crocante das pequenas sementes e a pele suave. Sim, naquele momento entrei definitivamente no clube!

Vim para casa já de água na boca a pensar no que me esperava, a imaginar o doce destas pequenas maravilhas entre o salgado do Queijo de Cabra e os aromas das Ervas Aromáticas e do Vinagre Balsâmico. Uuuhmmm! Nunca o caminho me pareceu tão longo!








Sei que já vem um bocadinho tarde mas se ainda encontrarem Figos no mercado por favor experimentem esta pizza. Prometo que vai ser das melhores que já alguma vez provaram!


Ingredientes

Massa (para 6 bases)

375g de Farinha de Trigo
375g de Farinha de Trigo Integral
1 saqueta de Levedura Seca
480ml de Água morna
2 colheres de sopa de Sal Marinho

Pizza
Figos Pingo de Mel
Queijo de Cabra 
Salva, Tomilho e Oregãos
Mozzarela ralada
Azeite
Sal Marinho
Pimenta Preta moída na hora
Vinagre Balsâmico


Preparação

Massa
Numa tigela grande dissolver a levedura na água morna e deixar repousar 5 minutos.
Misturar a farinha de trigo e o sal.
Lentamente ir misturando a farinha de trigo integral, mexendo sempre até a massa começar a descolar da taça.
Colocar a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada e trabalhá-la com as mãos até que fique bem macia e elástica durante cerca de 10 minutos.
Formar uma bola com a massa e voltar a colocá-la na tigela.
Cobrir com um pano e deixar crescer durante 2 horas até duplicar de tamanho.
Cortar a massa em 6 porções, formar pequenas bolas, cobrir e deixar repousar mais 30 minutos.
Esticar uma das bolas numa superfície enfarinhada até formar um círculo (não precisa de ficar perfeitinho, até gosto mais das pizzas meias tortas).
Embrulhar as outras bolas de massa em película anti-aderente e congelar até 3 meses.

Pizza
Ligar o forno para ir aquecendo.
Transferir a massa de pizza esticada para um tabuleiro forrado com papel vegetal.
Dispôr o queijo de cabra em pedaços e os figos cortados em fatias a gosto sobre a massa.
Espalhar as ervas aromáticas pela pizza e temperar com sal e pimenta preta.
Salpicar com a mozzarella ralada e levar ao forno cerca de 20 minutos.
Servir com um fio de vinagre balsâmico.


Adaptado daqui.


agosto 24, 2012

Sopa Rústica de Tomate Assado

Gosto de sentir a pele salgada depois da praia, da luz laranja que me entra em casa, gosto dos fins de tardes mornos e das noites estreladas, de ouvir as cigarras quando adormeço de janela aberta.... Mas não consigo resistir a um dia de Verão com sabor a Outono. Sabe-me bem esta melancolia cinzenta.

Enquanto oiço a chuva a cair lá fora vou preparando esta sopa. Bem devagarinho, para não espantar as nuvens. Deixo que os sabores se libertem e sinto o abraço reconfortante do aroma que fica na casa. Depois, já sentada no sofá e com uma taça bem cheia como companhia, deixo-me levar por estas pequenas doses de Outono concentrado, completamente rendida às promessas do novo ciclo que se avizinha.





Ingredientes

6 Tomates médios e maduros
1 Pimento Vermelho
3 Cebolas
5 dentes de Alho
500 ml de Caldo de Legumes ou Água
Azeite
Sal Marinho
Pimenta Preta moída na hora
1 colher de chá de Paprika
Tomilho
Manjericão e Pinhões Torrados para servir


Preparação

Ligar o forno para ir aquecendo e forrar 2 tabuleiros de ir ao forno com papel vegetal.
Lavar e cortar os tomates em gomos e dispo-los, com a pele virada para baixo, num dos tabuleiro.
Temperar com sal, pimenta e tomilho.
No outro tabuleiro, colocar o pimento vermelho, cortado ao meio e sem sementes, as cebolas descascadas e cortadas em fatias e os alhos inteiros e com casca.
Temperar com sal, pimenta e paprika.
Levar os 2 tabuleiros ao forno, durante cerca de 45 minutos, até os tomates abaterem e o pimento começar a enegrecer (a cebola e o alho podem assar mais depressa por isso convém ir verificando de vez em quando e retirá-los antes se necessário).
Pelar o alho e colocar todos os legumes assados numa panela grande.
Juntar metade do caldo ou da água (bem quentes) e passar ligeiramente com a varinha mágica.
Ir juntando o resto do caldo até atingir a consistência desejada (eu gosto assim, com pedaços de legumes ainda grandes e espessa, mas podem passar até ficar em creme).
Verificar os temperos e se necessário acrescentar mais sal, pimenta e paprika.
Servir quente, em taças, com um fio de azeite umas folhinhas de manjericão e pinhões torrados.
Perfeita com umas fatias de pão alentejano torrado!


Adaptado daqui.

março 13, 2012

Compota de Pêra com Gengibre e Limão

Adoro fazer compotas! Todo trabalho de descascar e preparar a fruta, o cheirinho que fica na casa, esperar pelo ponto do açúcar e ficar sempre maravilhada com a estrada que realmente se forma.

Como não gosto de compotas muito doces sigo quase sempre a mesma proporção: um quilo de fruta para meio de açúcar (às vezes até menos) e depois é experimentar um bocadinho com os sabores!

Lembram-se do Crumble de Pêra e Gengibre? Gostei tanto da combinação do doce da Pêra com o travo quase picante do Gengibre que quando estava a fazer esta compota resolvi experimentar. E para realçar ainda mais o sabor do Gengibre um bocadinho de Limão, não fosse eles velhos amigos. Divinal! Tão boa que ainda estava quente no tacho e eu já a roubar colheradas!

Para aproveitar as últimas Pêras deste Inverno quente, Compota de Pêra com Gengibre e Limão. E estou a contar trazer-vos ainda esta semana uma ideia deliciosa para usar esta compota! Só de pensar já estou com água na boca!


Ingredientes

1kg de Pêras maduras mas firmes
500g de Açúcar Amarelo
1dl de Água
1 Pau de Canela
raspa da casca de 1 Limão
1 pedaço de Raiz de Gengibre picada (mais ou menos o tamanho de um polegar)

Preparação 

Lavar, descascar e cortar as pêras em pedaços.
Juntar todos os ingredientes num tacho grande.
Deixar levantar fervura e baixar para lume brando.
Mexer de vez em quando até o açúcar atingir o ponto estrada.
Colocar depois o doce ainda quente em frascos esterilizados (eu encho-os com água e coloco no microondas 3 minutos).
Fechar e virar os frasco para baixo para criarem vácuo.

dezembro 14, 2011

Bifinhos de Seitan com Molho de Mel e Mostarda

Adoro cozinhar com mostarda de sementes... Não tem grande sabor (uso sempre a mostarda de Dijon para complementar) mas adoro o ar que dá aos pratos. Ficam com qualquer coisa entre o elegante e o rústico que simplesmente me delicia. Hoje trago uns Bifinhos de Seitan cheios de sabores bem quentes. Óptimos para estes dias frios de Dezembro!


Ingredientes (para 4 pessoas)

500gr de Seitan
1 colher de sopa de Mostarda de Dijon
1/2 colher de sopa de Mostarda de Sementes
1 colher de sopa de Mel
4 colheres de sopa de Natas (podem ser vegetais)
3 dentes de Alho
2 folhas de Louro
Sal Marinho
Pimenta Preta moída na hora
Azeite
Salsa para servir


Preparação

Fazer uma marinada com os dentes de alhos picados, as folhas de louro, um pouco de azeite, sal e pimenta. Cortar o seitan em bifes com mais ou menos meio centímetro de espessura e envolvê-los na marinada. Deixar marinar entre 30 minutos a 1 hora.
Numa frigideira grande aquecer um fio de azeite e juntar os bifinhos de forma a que fiquem todos em contacto com a frigideira.
Deixar cozinhar, alternando os lados, durante cerca de 15 minutos ao fim dos quais se retiram os bifinhos para uma travessa.
Entretanto misturar bem as natas com o mel e as mostardas.
Na mesma frigideira dos bifinhos colocar a mistura de mel e mostarda e deixar levantar fervura.
Voltar a colocar os bifinhos e deixar cozinhar em lume brando mais 5 a 7 minutos.
Servir salpicado de salsa picada, com puré de batata (ou os bolinhos) e uma salada verde.


Adpatada daqui.